UMORE UND ARCHITEKTUR

ONDE ANO
Museu da Casa Brasileira
2001

Esta exposição é uma resposta à invasão de arquitetos estrangeiros convidados a realizar obras no Brasil.
Nós também temos qualidade para fazermos projetos no exterior. É só tomar como exemplo São Paulo.
Há cidade mais bela, mais tranquila, sem graves problemas e com impecável qualidade de vida?
Estamos certos que não.
O perfeito sistema de transportes (sempre individual, nunca coletivo), a limpa paisagem urbana, sem vestígios de propagandas publicitárias ou pixação (que aliás, às vezes deixam a cidade um pouco fria… uma ou duas pixações de vez em quando, só para quebrar, não ia nada mal…); as enormes e bem cuidadas áreas verdes da cidade, cujas árvores são tão cuidadas que usam até roupinha (sabem aquelas grades triangulares de ferro branco, lindas…); os elegantíssimos e inovadores edifícios em estilos neo-clássico, cibernético, messiânico, inglês, burocrático, pós-moderno, televisivo, utópico, fundamentalista, vernacular, mediterrâneo, neo-fascista, metafísico, erótico, etc. com seus nomes tão brasileiros: Edifício Maison Plaza-Athenée, Saint-Honoré, Maison Champs Elysées, Saint Tropez, Fabergé e Maison Démodé.
Nossas inovadoras guaritas de segurança, tão baratas e eficientes, e hoje acessiveis a qualquer um; as pontes, anéis viários, viadutos, minhocões, cebolões, cebolinhas, legumes, etc… cortando delicadamente a idílica paisagem urbana.
Tudo isto nos enche de orgulho.
Estas propostas, porém, não foram feitas assim de repente, de um dia para o outro. Não é de nosso feitio. Foram meticulosamente estudadas, planejadas, tendo sempre o cuidado de respeitar a paisagem urbana do entorno, sem nenhuma interferência visual, preservando história, costumes e principalmente movimentos.
Bem diferente dos arquitetos estrangeiros, que não têm este cuidado. Seus projetos arquitetônicos podem ser implantados indiferentemente em cidades como Dubai, Vladivostok ou São Paulo.
Então, aqui vamos nós na tentativa de implantar em outras praças os projetos que tanto sucesso fizeram por aqui, e tanta admiração causaram no resto do mundo.
Não é o máximo?
Sim, aqui vamos nós, fincar nossa bandeira e dizer ao mundo: Vencemos!
Este é o jeitinho brasileiro!
Vocês vão ter que aprender, nem que for na marra, que este é o “Brazilian Way of Being!!!” Brasil-il-il-il-il-il!!!!!

Isay Weinfeld e Marcio Kogan

ARCO DO TRIUNFO VIÁRIO
Esta é uma proposta que com certeza Napoleão e todos os parisienses vão adorar. Cansados do congestionamento diário e de inúmeros acidentes no cruzamento de nada menos que doze grandes avenidas, pensamos em uma solução simples e barata.
Como todos sabemos, nosso know-how, ou no caso savoir-faire, na execução de grandes viadutos é imenso. É verdade que este é um caso um pouco mais complexo, pois a única solução inteligente para se acabar com o engarrafamento é essa série enorme de viadutos cortar o famoso “Arco do Triunfo”.
É uma lição de engenharia e um grande deleite ver todas aquelas pistas se cruzando sem bater umas nas outras. E pode sair bem barato, inclusive. Através de um pedágio eletrônico, alguns francos seriam cobrados diretamente na conta de telefone do proprietário do veículo. Seria uma excelente fonte de arrecadação. O sucesso seria tão grande que, se Jacques Tati estivesse vivo, refaria o final de Playtime. Além disso, não tem jeito. Quando as coisas nascem para dar certo é incrível: nem com desapropriações precisamos nos preocupar. Parece que o soldado que está enterrado lá é totalmente desconhecido. Vai ver que nem família tem…

PUBLICIGSTAAD
Que graça tem esquiar? O que faz com que um bando de gente ache alguma graça em escorregar por uma montanha branca, gelada, inóspita, com uma paisagem monótona sem nenhum atrativo? Não sei como não dá sono. Vamos botar um pouco de calor humano nisso, minha gente!
Gstaad tem que ser um pouco baiano também! Este projeto tem o intuito de exportar para uma estação de esqui nosso bem-sucedido plano PVT (Poluição Visual Total).
“Venha gostar de estar em Gstaad!” Slogans como este, que nossos colegas publicitários sabem criar tão bem, caberiam em qualquer um dos 3.500 outdoors previstos numa primeira fase da implantação de um projeto de recuperação da paisagem suíça. A ideia não é somente colocar outdoors ao redor das montanhas, mas principalmente pequenos cartazes dos dois lados da pista de esqui anunciando “Raclettes, Fondues, Chocolates, Relógios, Bancos, Bancos e Bancos”. Aí sim, enquanto a pessoa desce a montanha (que geralmente é por inércia), ela vai se distraindo e até se informando culturalmente, por que não?
Quando ela chega lá embaixo já é outra pessoa, mais culta, mais moderna, com mais conteúdo em nível de emoção interior, sei lá…

AUTORES

Isay Weinfeld
Marcio Kogan

FOTOS

Andres Otero

Isay Weinfeld Isay Weinfeld