EDIFÍCIO BEM VIVER MARQUÊS DE ITU

LOCALIZAÇÃO ÁREA CONSTRUIDA ANO
São Paulo, Brasil
4.737 m²
2021

O Bem Viver Marquês de Itu é um edifício de uso misto, empreendido no âmbito do chamado Minha Casa Minha Vida, programa público de financiamento habitacional.

Antes de mais nada, vale mencionar um importante aspecto da estratégia elaborada pelo cliente para viabilização econômica no MCMV: o desenvolvimento simultâneo de empreendimentos – a permitir a otimização de recursos e a compra de materiais em escala, a preços reduzidos – que tem ainda como desdobramento a padronização da construção, tanto quanto possível.

Nesse contexto, sistema (alvenaria estrutural) e elementos construtivos (das esquadrias aos acabamentos) são dados do projeto a priori, independente do terreno e do programa em si. A escolha do terreno, aliás – sempre em um bairro central, com fácil acesso aos meios de transporte público -, é outro ponto a contribuir diretamente na redução do custo geral dos empreendimentos, ao fazer desnecessária a construção de garagens e dispendiosos subsolos.

Pois, ao estudarmos o lote de 690m² junto ao famigerado Minhocão, na esquina da Rua Marquês de Itu e Av. Amaral Gurgel, à luz da cartilha do MCMV, da Legislação de Uso e Ocupação do Solo, e do escopo de necessidades apresentado pelo cliente, optamos por implantar o edifício no alinhamento da calçada, destacado dos vizinhos em favor da insolação e ventilação, com espaços comerciais abertos diretamente ao passeio e, voltado aos fundos e protegido do trânsito da avenida, um generoso jardim.

No térreo, onde uma estrutura em concreto moldado in loco permite vãos maiores e mais adequados aos usos, o edifício abriga portaria, áreas técnicas e 3 apartamentos – além das 2 lojas. A partir do primeiro pavimento, 15 andares-tipo, em uma planta amarrada pela alvenaria estrutural, acomodam 8 apartamentos cada, entre estúdios e apartamentos de 1 e 2 dormitórios, de 24m² a 35m².

Nos andares-tipo, os apartamentos foram alocados considerando-se o melhor proveito da luz e da vista, nunca voltada aos edifícios vizinhos, mas sim ao Elevado – ou Parque Minhocão, espaço de lazer em que é convertida essa via elevada nos finais de semana. Dispostos na fachada posterior, os corredores de circulação – para onde se abrem as cozinhas dos apartamentos – são avarandados, de modo a permitir a ventilação cruzada nas unidades e liberar a fachada principal das obrigatórias venezianas de ventilação permanente de gás.

A esquina curva inspirou-nos a arredondar os cantos do prédio na fachada frontal, suavizando os contornos do volume que se ergue robusto e uniforme desde a rua. A extensa superfície da fachada, pontuada por aberturas distribuídas dentro de um compasso regular e ritmado, serve de pano de fundo à pintura em degradê de 15 tons de azul, que a recobrem do tom mais escuro (no térreo), ao branco (no último pavimento).

Finalmente, os espaços de uso comum – salão de festas, lavanderia, sala de trabalho, jardins e horta – destinamos à cobertura, de forma que todos possam desfrutar igualmente (e um tantinho distantes do burburinho da rua e do Elevado), da vista alargada da cidade que se abre a partir do último pavimento.

 

AUTOR

Isay Weinfeld

coordenador sênior

Monica Cappa

COORDENADOR do projeto

Lúcio Olivier

EQUIPE

Alan Chu
Carolina Miranda
Daniela Hoffrichter
Felipe Zene
Joara Pereira
Lucas Jimeno Dualde
Nilton Suenaga
Pedro Dias
Sara Leitão

FOTOS

Fernando Guerra 

Isay Weinfeld Isay Weinfeld